segunda-feira, 23 de agosto de 2010
O que se aprende na infância.
Quando criança, ela possuía uma bonequinha que, aos olhos alheios, já não tinha valor algum, mas aquele era o seu tesouro, sua boneca preferida. Com o passar do tempo, as pessoas insistiam em mostrar-lhe bonecas novas, mais bonitas, algumas até falavam, mas ela recusava-se a aceitar outra que não fosse aquela que acompanhou-a por muito tempo. Num dia de chuva, sua boneca foi arrastada pela correnteza, ela chorou e correu por todos os lugares atrás daquele objeto com tantos defeitos, mas que era capaz de fazer-lhe feliz. Foi em vão. Muito tempo se passou até que Sophia pudesse se recuperar da dor que é perder algo que se ama, talvez ela ainda não tenha se recuperado totalmente, mas não há nada a se fazer, a correnteza é e sempre será mais forte que ela e talvez mais sábia. Provavelmente hoje a boneca está em outras mãos, talvez alguém que dê o mesmo valor que Sophia dava, assim ela espera. Depois disso, Sophia teve muitas outras bonecas, mais novas, mais bonitas, algumas até falavam, mas é aquela cheia de defeitos que sempre estará nos pensamentos da pequena menina de olhos tristes.
Espelhos.
Tenho a liberdade de repostar um texto que fiz há um ano, mais ou menos, já que os sentimentos são os mesmos.
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Decisões.
Decisões doem, partem o coração, mas Sophia tinha que tomá-las. E ela demorou, demorou muito até ver quais decisões ela iria tomar.
Em geral, as pessoas optam por ter raiva, por odiar aqueles que amaram um dia. Sophia não. Não que ela não queira, é que não consegue.Talvez nem tente, sabe que não vai conseguir. Não tem como sentir raiva de quem um dia a fez tão feliz.. não há como sentir ódio de quem se ama. E mais uma vez Sophia tem que ser forte. E ela é, pode não parecer, mas ela é. Ou tenta ser.
Por mais que doam, as decisões têm que ser tomadas. Os amores têm que ser esquecidos. A página tem que ser virada. A vida tem que ser vivida. E o sorriso, por mais que esconda uma dor, tem que sobreviver a tudo isso.
Sophia, minha pequena Sophia, seu coração transcende os limites do seu corpo, você vai passar por essa.
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Não tenho a esperança de que aconteça a mesma coisa do ano passado, só espero conseguir passar por isso com a cabeça erguida.
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Decisões.
Decisões doem, partem o coração, mas Sophia tinha que tomá-las. E ela demorou, demorou muito até ver quais decisões ela iria tomar.
Em geral, as pessoas optam por ter raiva, por odiar aqueles que amaram um dia. Sophia não. Não que ela não queira, é que não consegue.Talvez nem tente, sabe que não vai conseguir. Não tem como sentir raiva de quem um dia a fez tão feliz.. não há como sentir ódio de quem se ama. E mais uma vez Sophia tem que ser forte. E ela é, pode não parecer, mas ela é. Ou tenta ser.
Por mais que doam, as decisões têm que ser tomadas. Os amores têm que ser esquecidos. A página tem que ser virada. A vida tem que ser vivida. E o sorriso, por mais que esconda uma dor, tem que sobreviver a tudo isso.
Sophia, minha pequena Sophia, seu coração transcende os limites do seu corpo, você vai passar por essa.
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Não tenho a esperança de que aconteça a mesma coisa do ano passado, só espero conseguir passar por isso com a cabeça erguida.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
A morte.
Ele chegou naquela sala vazia e encontrou-a deitada na cama, triste, vazia de todo afeto que um dia lhe foi proporcionado, olhou e rastejou por aquele metro quadrado que parecia não acabar, ajoelhou-se ao lado da menina de olhos tristes, beijou-lhe na testa e despediu-se querendo não acreditar que o fim tinha chegado e que ali acabavam todos os momentos de infinita alegria entre eles. Ela olhou-o e prometeu amor eterno, mesmo sabendo que ele não era o seu destino, chorou, tentou lutar contra aquilo que parecia inevitável... e era, não conseguiu vencer uma luta em que já havia sido derrotada há tempos, calou-se. Ele olhou fundo naqueles olhos já sem brilho e viu que não havia chances, chorou. Ela pegou em suas mãos, ele apertou com o restante de suas forças e eles sorriram.
Sophia se foi e deixou apenas o seu amor, sempre tão intenso e verdadeiro.
Sophia se foi e deixou apenas o seu amor, sempre tão intenso e verdadeiro.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Eu depois de nós.
Como uma das bifurcações de algum rio, que ainda acredita que um encontro seria possível no mar.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Rascunho.
Ela não sabia pra onde ir, então correu, foi o mais longe que pode, viu paisagens, crianças e carros passando, pensou estar longe o suficiente, mas não parou, continuou correndo, fugindo da realidade que já não lhe cabia. Resolveu somente caminhar, conhecer as pessoas que, mesmo com toda aquela acidez, insistiam em fazer-lhe feliz, conversou com algumas crianças, descobriu tesouros, foi o confessionário de uma apaixonada que contou-lhe sua mais bela história de amor e chorou ao notar que não acreditava naquilo que estava ali, na ponta do seu nariz. Acreditou. Continuou a andar, tentou esconder-se nos cantos mais remotos daquele lugar, andou, andou por muito tempo, a sola de seus sapatos já não lhe davam o conforto inicial, cansou.Quando cansou, ajoelhou-se ali mesmo, naquele chão sujo, cheio do pó que te fez espirrar por tanto tempo, olhou a sua volta e percebeu que sua tentativa foi em vão, não tinha conseguido ultrapassar aquele metro e meio de angústias e inseguranças. Desistiu. Desistiu de fugir de si, procurar, sem sucesso, a felicidade naquilo que não te pertencia, era bobagem. Percebeu que essa coisa de encontrar-se fazia parte do tal crescimento que tanto ouviu falar, mas recusou-se a aceitar a situação, e não adiantava recusar, não haviam escolhas, crescer era agora sua nova obrigação, teria que ver partir toda sua visão de mundo e aceitar, sem opção, seu novo "eu". Sophia estava crescendo, e crescer dói.
domingo, 4 de julho de 2010
Sobras.
Cabe tanta saudade em meu peito, tanta lágrima em meus olhos, tanta angústia, tanta insegurança, que apenas dói. Demasiada dor. E eu sigo, como quem não tem aonde ir, e nem quer ter, como quem apenas deseja ler, com a ponta dos dedos, toda a poesia dessas paredes esquecidas, como quem só quer lembrar, lembrar do que foi bom e do que ainda pode ser, revirar o baú da sua mente e rever todos os momentos em que as lágrimas brotavam somente em meio a sorrisos. Foi-se esse tempo, um tempo de ideais, de lutas e revoltas, agora cabe somente o eu. E é somente o eu que move todos que um dia eram motivados pelo nós. Tudo era a 3ª pessoa, eram sentimentos que em algum momento se encaixavam, agora é apenas um amontoado deles, e seria necessário procurar algum que me servisse, mas eu já não quero, tenho preguiça dessa busca que talvez não tenha fim e que me mata a cada fracasso.
Cabe tanta saudade em meu peito, mas as lembranças transbordam, sobra-me apenas a esperança de que o futuro chegue e traga em sua mala novos momentos de felicidade. Seja bem vindo.
Cabe tanta saudade em meu peito, mas as lembranças transbordam, sobra-me apenas a esperança de que o futuro chegue e traga em sua mala novos momentos de felicidade. Seja bem vindo.
domingo, 13 de junho de 2010
O meu amor.
"Tenho um amor que me veio pronto, assim, água que caiu de repente, nuvem que não passa(...)" Caio F. Abreu.
Não, meu amor não tá escrito por outro alguém, meu amor sou eu e você. Eu tenho um amor profundo, alegre e que por vezes, menos raramente do que parece, me faz chorar, põe em meus olhos todos os sabores e todas as dores que é sentir-se completa. Meu amor não é poema, é prosa, toda essa coisa de versos e estrofes é cansativa demais, meu amor se repete, é tudo numa linha só, tem parágrafos e continuações, mas ainda não conheceu o fim, e nem vai conhecer. Meu amor é um livro, é um pouco de Pequeno Príncipe e um pouco mais de Mil e uma Noites, não tem um final feliz, talvez por que não tem final ou por que um final seria tão doloroso, tão inaceitável para ambas as partes que o livro é relido antes que chegue ao último capítulo. Somente duas pessoas são realmente importantes, alguns passam durante o desenrolar da história, outros ficam,mas essas duas pessoas não chegam nem se vão, elas estão ali, fixas, imóveis num contexto tão surreal. Você e eu. Meu amor é boca e ouvido. É flor e vento. Me fala, me ouve e me completa. Tenho em mim todo amor do mundo, e não é pouco, é oceano, é céu e é você. Só você.
Te amo.
Não, meu amor não tá escrito por outro alguém, meu amor sou eu e você. Eu tenho um amor profundo, alegre e que por vezes, menos raramente do que parece, me faz chorar, põe em meus olhos todos os sabores e todas as dores que é sentir-se completa. Meu amor não é poema, é prosa, toda essa coisa de versos e estrofes é cansativa demais, meu amor se repete, é tudo numa linha só, tem parágrafos e continuações, mas ainda não conheceu o fim, e nem vai conhecer. Meu amor é um livro, é um pouco de Pequeno Príncipe e um pouco mais de Mil e uma Noites, não tem um final feliz, talvez por que não tem final ou por que um final seria tão doloroso, tão inaceitável para ambas as partes que o livro é relido antes que chegue ao último capítulo. Somente duas pessoas são realmente importantes, alguns passam durante o desenrolar da história, outros ficam,mas essas duas pessoas não chegam nem se vão, elas estão ali, fixas, imóveis num contexto tão surreal. Você e eu. Meu amor é boca e ouvido. É flor e vento. Me fala, me ouve e me completa. Tenho em mim todo amor do mundo, e não é pouco, é oceano, é céu e é você. Só você.
Te amo.
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